É tudo tão pesado às vezes, sabe?
Tão difícil de lidar.
Não sei se a vida deveria ser assim.
A gente só vai seguindo, tem momentos felizes, mas talvez a felicidade plena não exista quando se está sozinho.
Tudo é feito para ser dividido, compartilhado com qualquer pessoa que seja.
Alguém para vibrar e chorar com você.
Alguém para somente ouvir calada o que você tem a dizer.
Reduzimos as relações a coisas muito pequenas.
Muito fracas.
Sexo, quando o que vale é um olhar.
Beijos, quando o que vale é um abraço.
"Você é gostosx", quando o que vale é "sinto sua falta".
A frieza humana tem destruído a todos, um pouco de cada vez.
Jogos e jogos para fingir desinteresse.
Não deveria ser assim.
"Estive pensando em você" deveria ser o mais importante gatilho de emoção, de sedução, de atração.
Sim, eu digo "você é especial". E o resultado é sempre estranho.
Fodas.
Não quero que meu epitáfio seja mais sincero que meus atos.
Não quero que minha morte seja mais rica e importante que minha vida.
Não quero que meus ossos guardem os segredos que tanto quis dividir com alguém.
As dores da vida.
É fodido viver neste mundo em que as pessoas se cruzam sem se ver. Sem se notarem.
Queria pelo menos sentir isso todo o tempo. Assim eu agiria da forma correta o dia inteiro, não apenas nas madrugadas frias, atrás de uma tela fria de computador, falando sobre a frieza das pessoas, tentando aquecer meu coração com uma fagulha qualquer que qualquer pessoa tenha escrito ou cantado.
Uma vida vã é o que a maioria tem vivido. Sem calor, sem intensidade, sem entrega.
O medo da perda tem sido maior que a vontade de viver aquilo. Não faz sentido.
Talvez o pensamento da morte não assombre a todos, ou pelo menos não o suficiente para que tenham medo dela, ou da vida mal vivida, ou da falta que não farão em morte, ou do último pensamento noturno de alguém que não os notou.
Todos deveríamos ser felizes por um tempo maior do que o que somos tristes, ou do que somos neutros.
Deveríamos poder parar um tempo e dizer "cara, como sou feliz". Mas simplesmente vamos atropelando tudo.
Disfarçando nossos medos idiotas com atos idiotas, coisas idiotas, falas idiotas, em empregos idiotas, nos deitando de forma idiota com alguém que não amamos, disfarçando o vazio emocional com carga de prazer momentâneo e idiota.
Somos a pior versão do que poderíamos ser e nos consideramos bons, seguindo outras pessoas que são as piores versões de si mesmas.
Nos reduzimos a nostalgias e amores antigos que fantasiamos serem melhores do que realmente foram.
Sorrimos por educação, choramos por conveniência.
Continuamos a respirar pelo simples medo do que existe depois disso aqui.
Notas de violão continuam dando ritmo as minhas noites, diversos pensamentos sem muito nexo.
A dor do vazio existencial talvez seja uma das piores por não possuir remédio real. Não possuir respostas definitivas, seja na religião, no amor sexual, no amor familiar ou em qualquer que seja a esfera.
Você só continua e tenta não olhar para ele.
São poucos os que param para avaliar a vida e tomar nota. Isso requer ir além.
Considero os demais como idiotas, ignorantes e brutos, mas no final eles sorriem...

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