“É a nossa luz, não nossa escuridão que mais nos assusta.

Nosso medo mais profundo não é de sermos inadequados.

Nosso medo mais profundo é de sermos poderosos além da medida,

Mas brincar de ser pequeno não serve ao mundo.”

Coach Carter

segunda-feira, 20 de junho de 2016

abstinência

alguns escrevem para viver, outros escrevem para não morrer, sabe?
afasta a loucura, te ajuda a explodir um pouquinho de cada vez, sem se queimar e sem desaparecer

eu? eu não sei exatamente porque eu escrevo
talvez para não ficar louco mesmo
talvez para compensar minha inabilidade para outras coisas na vida

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Nota mental:

Eu ainda me lembro do sorriso dela...
Faz alguns anos, mas eu me lembro bem.
Me lembro da boca dela, daqueles lábios que carregavam alguns dos melhores beijos que já provei.
Me lembro daquela cintura onde meus braços se aninhavam enquanto estávamos em pé no ônibus.
Me lembro do olhar dela sempre tentando me decifrar.

Me lembro de como gostava de brincar com ela, de fazer raiva.
"Bibi", eu dizia com frequência só para vê-la corada, odiando e amando o apelido e a forma terna com que eu o pronunciava.
Me lembro de quando ela realmente apelava com algo e mudava o tom da voz, e então eu a beijava somente para disfarçar meu desconcerto e fingir ter controle da situação.
Me lembro de como ela sentia prazer em estar comigo e como eu sentia prazer em estar com ela.

Me lembro de tê-la entregue em meus braços trêmulos.
Me lembro de fingir saber o que estava fazendo quando, na verdade, eu estava apavorado.
Me lembro de não ter dito a ela o quanto aquilo representou para mim, o quanto foi especial.

Mas me lembro principalmente de não ter agido da maneira certa.
Me lembro de ter me escondido atrás da indiferença para parecer forte.
Me lembro de não ter me permitido me entregar a ela como gostaria.
Me lembro de ter tido medo de me apaixonar, de ter fugido dela, de ter fugido de nós.

É interessante pensar que eu superei quase tudo na vida, exceto ela.
Você foge do sentimento, mas ele te pega do mesmo jeito, porém tardio, porém mascarado, porém já nasce póstumo.
Na vida tudo tem uma lição, e com ela eu aprendi que quando você não vive tudo o que tem para viver, o remorso te pega desprevenido.

Alguns anos se passaram, algumas garotas se passaram, mas constantemente volto a pensar nela.
A garota das anotações mentais.
A garota do lacinho vermelho.
A garota que meu pai chamava insistentemente de "Branquinha" sem que ela nunca soubesse disso.
A garota que tive nas mãos e deixei escorrer por entre os dedos.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

eu,

quero me encontrar, mas não sei onde estou...

aquela insatisfação total, com tudo, com todos...
não era assim que eu me imaginava aos 23 anos, sabe?

fumaça de cigarro, dor física e mental
eu me imaginava num lugar diferente, fazendo coisas diferentes

talvez meus pais estejam certo, talvez eu seja arrogante
talvez eu seja prepotente, não quero uma vida normal,
talvez eu me ache demais para viver essas coisas de todo mundo
com as garotas normais que todo mundo pode alcançar
com um salário normal que compra as coisas que me permitem viver

talvez eu me ache demais. expectativas demais, sonhos demais

talvez eu me sinta mal por perder algumas coisas por achar que as merecia mais do que outras pessoas
talvez eu me ache melhor que a maioria, melhor que meu irmão e alguns amigos.

mas é estranho porque no fundo, talvez nem tão fundo assim, eu me sinto um lixo
eu sou uma casca de arrogância escondendo um garoto assustado
talvez o garoto assustado que eu nunca deixei de ser no ensino fundamental

a gente cria uma identidade e finge que ela é real, mas não muda quem é por dentro

cria uma imagem de macho alfa a seguir, dogmas e costumes, frases e modus operandi
mas não dá pra fugir de quem você é de verdade.

você consegue entender isso?
sempre buscando a aceitação dos outros, os olhares de aprovação, a admiração
por falta de admiração própria, amor próprio, por falta de saber se apreciar.

talvez por isso a solidão me doa tanto
solidão, solidão, solidão.

embora eu tente apagar os traços de sentimento que tenho,
embora eu tente parecer desapegado e forte, indestrutível e inequivocado
eu estou sempre apegado, fraco, destruído por dentro e cometendo erros

mas não sei encontrar esses erros.
talvez minha prepotência me impeça.

mas como posso ser dois opostos dentro de um só corpo?
como posso me sentir superior aos outros e ao mesmo tempo tão bosta em comparação?

não sei, não sei, não sei.

eu me engano ao enganar os outros, talvez acredite nas fábulas que eu mesmo conto
afirmo ser bom para que acreditem nisso e me ajudem a acreditar também

mas hoje?
hoje eu estou sozinho, hoje não consigo fazer com que me ajudem a mentir pra mim
eu sou só o restinho do que sobrou, sabe? a farsa desmascarada por mim mesmo.

tudo vai passar, tudo sempre passa, e eu passei, e não sei nem o que eu sou
não sei nem o que eu quero, ou porque eu quero.

quero por mim? quero para que me admirem? quero por amor?

me acostumei a ser admirado por alguns pontos e não sei mais como me desligar disso.

meu ego é meu demônio, ele me bate todas às vezes que olho as coisas e fracasso.
eu queria ser perfeito. eu queria ser um James Bond, um natural, uma máquina
eu queria ser o que prego, a pessoa que todos invejariam e desejariam estar perto
mas não sou nem sombra disso.

em algum ponto da trajetória eu me perdi totalmente de tudo
me perdi de mim, dos meus desejos e sonhos, das pessoas que eu amava
agora sobra essa falsa arrogância que distancia os outros e que não é suficiente para me fazer bem

"não seja grande demais, você ainda vai se perder.
não dê razão para a fé, não deixe ele crescer mais do que você.
não seja forte demais, todos eles vão saber
e vão correr para te derrubar, pra te ver e encarar seu lugar."