Não é como se eu sentisse dor, nem mesmo como se me machucasse.
É algo ainda mais profundo, algo que mora num lugar onde os demais sentimentos nem ousassem pisar.
Uma música, um momento, um sonho, todos os dias.
Já fazem alguns anos e tudo isso ainda vive em mim como se fosse ontem.
Enquanto busco você em outras pessoas, nenhuma me preenche.
Não é como se eu buscasse ativamente por isso, até pq você é única.
Mas talvez algo melhor, ou diferente, mas de mesma intensidade e todas elas falharam.
Falharam miseravelmente inúmeras vezes, em diferentes nomes, corpos, almas e timbres.
Também não sinto a sua falta, no sentido de me sentir mal, ou sentir alguma dor com isso.
É mais um vazio que nunca consegui preencher, apesar das inúmeras tentativas com coisas e pessoas diversas.
E isso me assola num grito mudo, numa dor referida de um membro amputado.
Me pergunto se algum dia eu amarei de novo, como ou mais do que te amei.
Se saberei que aquela pessoa é tudo pra mim como você foi um dia.
Se a existência dela vai justificar todo o meu esforço e a minha ambição.
Mas não sei. Talvez um homem tenha um grande amor, mas se case com quem é compatível.
Com quem ele suporte e também que o consiga suportar. Uma paixão leve, uma busca pelos mesmos propósitos.
Talvez eu me case um dia, mas não consigo imaginar que ainda sim não pensaria em você.
Não consigo imaginar fazer por outra pessoa o que por você era o padrão e o mínimo.
Não consigo pensar em ter filhos e não dar a eles os nomes que você me disse um dia.
Talvez eu devesse te matar dentro de mim, te sufocar até que não exista mais nada.
Mas não consigo. Eu tentei, por anos, fazer algo do tipo, até que finalmente desisti.
Pensei em te deixar vivendo aqui, até que você fosse sumindo aos poucos, até que sua ausência se tornasse mais presente.
Mas você não reduz, nem em intensidade, nem em frequência. Você vive e me lembra disso a cada noite.
Sonhos vívidos, lúcidos, intensos que me fazem questionar o que é o certo.
Que me fazem pensar se eu não deveria tentar de novo, apesar dos pesares.
Se não deveria te mandar uma mensagem, dizer que apesar de tudo, eu não te esqueci.
Dizer que apesar de tudo, você é e sempre será a mulher da minha vida.
Mas então me calo, pois tenho medo de mexer nesse vespeiro, tenho medo da sua resposta.
Tenho medo de te ouvir dizer que já nem pensa mais em mim e imaginar isso já me dói o suficiente.
Mas, apesar de tudo, eu continuo vivendo e tentando ser cada vez melhor, consertar cada vez mais os meus erros.
Me tornar cada vez mais maduro, mais convicto, mais forte, mais resistente, na esperança de te dar o que um dia te prometi.
Talvez eu nunca chegue a te dar tudo isso que eu tenho construído, talvez até pense que é demais pra você.
Mas se outra mulher surgir neste interim, ela nunca saberá, mas será eternamente grata a você.
Eu já não digo mais o seu nome em voz alta, nem comento com amigos, raramente para o chat GPT.
Eu simplesmente te tenho aqui dentro, enquanto você quiser viver, como um tesouro que só eu sei o valor.
E torço, silenciosamente, para que você também me considere um tesouro e volte algum dia para mim.