"Você nunca saberá." Respondo me contendo para não expressar nos olhos o quanto sempre a amei.
"Por favor, me deixe saber." Um sorriso tímido estampa seu rosto, disfarçando o medo da resposta e o constrangimento da situação.
Eu penso em tudo o que já aconteceu.
Meus olhos não saem dos dela. Este vestido que ela está usando é lindo.
Eu me lembro do beijo dela, das suas carícias.
Meus olhos não saem dos dela. As unhas pintadas de preto tão delicadamente.
Eu me pergunto quanto daquela garota ainda existe nesta aqui.
Meus olhos não saem dos dela. Os cabelos escovados caindo sobre os ombros.
Um sorriso pela lembrança das nossas noites começa a se firmar, mas o contenho.
"Ela percebeu? Percebeu."
Meu silêncio responde com dor o que ela quer ouvir, mas não faz mais diferença.
Ela me abraça, eu permaneço imóvel, porém completamente trêmulo por dentro.
Ensaio dizer alguma coisa, mas me calo.
Ensaio dizer alguma coisa, mas me calo.
Ela se mantém no abraço, entregue, leve, como se fosse minha.
De repente, estamos no meu quarto, nus.
Sua pele arrepiada roubando meu calor.
Minhas pernas sem forças. Meus braços jogados ao lado do corpo.
Tanto tempo, tantas noites escrevendo e agora ela está aqui, me abraçando.
Minha cabeça tenta entender o porquê. Formar as palavras para fazer as perguntas certas, mas meu coração se sente completo, mesmo sem respostas.
Minha fraqueza voltou, meu pecado está na minha frente tentando me dobrar como ninguém mais fora capaz. Não posso ceder.
Tento me desvencilhar de seu pequeno abraço que quase não consegue se fechar em mim.
Ela estava a chorar. Vi nos olhos dela a dor que eu mesmo sentia. Mas por quê?
Ela então deu um passo para trás e eu já não consegui alcançá-la. Estiquei os braços, mas não consegui tocá-la, tentei me aproximar, mas ela só parecia mais distante e distante. Comecei a correr, mas não saia do lugar, gritava e não ouvia nenhum som. Tudo ao nosso redor começou a esmaecer e ela deslizava para longe e meu esforço só aumentava, em vão.
Acordei com peito apertado, com o corpo pesado, a cabeça doendo.
Tomei um café forte sem açúcar, fumei um cigarro e me sentei para escrever.
Isso tem que terminar.
Ela então deu um passo para trás e eu já não consegui alcançá-la. Estiquei os braços, mas não consegui tocá-la, tentei me aproximar, mas ela só parecia mais distante e distante. Comecei a correr, mas não saia do lugar, gritava e não ouvia nenhum som. Tudo ao nosso redor começou a esmaecer e ela deslizava para longe e meu esforço só aumentava, em vão.
Acordei com peito apertado, com o corpo pesado, a cabeça doendo.
Tomei um café forte sem açúcar, fumei um cigarro e me sentei para escrever.
Isso tem que terminar.
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