e eu aqui
ainda escrevo pra você
escrevo e você nunca vai saber
jamais te mostraria o que tenho escrito
achei que as coisas deveriam acabar por falta de amor
nunca por amor demais
não faz sentido, simplesmente não faz
mas de consciência, estou limpo,
fiz o que pude, amei o que deveria amar
me entreguei e estranhamente agora me sinto descartado como um lixo por você
talvez o que mais dói não seja ter terminado, mas como terminou.
sobras de covardia no canto dos olhos
vergonha
uma leve antipatia que insiste em aflorar
eu lutaria por você, por nós
agora sei que lutaria sozinho, pelos cantos, na sarjeta
sempre soube que as coisas terminam, mas não tão cedo
não dessa forma
nossas últimas palavras ecoam nas músicas que ouvíamos juntos
seu jeito, suas palavras
você mentia? você me usava?
nunca saberei se fui um tolo escoro emocional ou se fui real na sua vida
você foi real
acredite
mais real do que poderia ser
tão real que me custa transformá-la em mentira e simplesmente deixar pra lá
tão real que olho pra você e não encontro o que via outrora
vá
não, não vá, volte
não sei mais
2 maços de cigarros, joguei ao lixo, cervejas despejadas na pia
você se lembra do que ainda não vivemos?
bonito, tabuleiro, veneza e noruega. nova zelândia.
mulheres são loucas e tornam os garotos loucos
jovens
iludidos
inocentes no jogo do amor
desfeitos de seus escudos, sem proteção, amor sincero, tisc tisc
acho que vou vomitar
vodka love pelo ar todas as manhãs
cabelos loiros, castanhos, ondulados
minha cama se tornou um ninho de pelos, uma mistura de perfumes
você deveria estar dentro de algumas delas
um pedaço que fosse
um suspiro
uma mordida
um olhar
a fala delas não me preenche como o seu silêncio preenchia
o olhar delas é vazio
toda a abundância delas não suprem toda a sua pequenez.
como eu te odeio.
mulheres, vadias, putas, loucas, loiras, morenas, mulheres
encantos variados, vozes e toques
eu encontrei meu tipo
e nenhuma delas satisfaz
minha exigência aumentou demais
minha exigência se tornou você
e você
a cada vez que se deita com ele, se lembra de mim
a cada frustração
a cada conversa fiada em que você tem que explicar as coisas mil vezes e ainda não ser entendida
a cada vez que ele te segura e você teme cair
a cada vez que ele te olha e você vê que não sou eu
você esta fadada a viver com isso
sua covardia
seu medo
medo da felicidade
medo de mim
medo de ser tão feliz que se eu morresse, iria querer morrer junto.
eu não queria ser você quando caísse na real
não queria ser hoje
nem amanhã
mas eu queria ser você ontem, quando eu te amava como se o mundo fosse acabar e isso não fizesse diferença
e como amei
mas hoje?
eu já não sei
não depois de ser descartado como lixo
um lixo que você espera que o tempo venha recolher e tirar da sua vista
junto com o meu perfume que percorre toda a extensão daquela maldita sala gelada e te acaricia as narinas
não
simplesmente não.
mas não sei "não" o quê.
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