Acho que a minha felicidade não foi feita para ser escrita.
Foi feita para ser vivida. Mas eu gostaria de escrever.
Escrever me torna mais vivo, ou menos morto.
Mostrar às outras pessoas o que elas não vêem de mim.
Gostaria de voltar a ser o poeta que se firmou como namorado.
Gostaria de escrever coisas apaixonadas, não apenas fazê-las.
Mas não consigo mais falar de coisas alegres e belas.
Só existe desolação e morte em tudo que escrevo.
É a maldição do menestrel das sombras. Aquele que declama a desgraça.
Aquele que baila com a morte e saúda a peste.
O dançarino das sombras que não alegra crianças.
Mas que geme aos teus reis a grotesca verdade do mundo.
Rezo aos céus para que esta maldição se quebre.
Clamo pelo poder da descrição da felicidade.
Queria suturar o sentimento aos textos enquanto falo de minha bela vida.
Ao descrever o pássaro que todos os dias canta à minha janela.
Ao ilustrar o sol que se precipita na minha janela pela manhã.
Mas acima de tudo, ao falar de minha mulher.
Ao brindar a doçura dos seus lábios e a maciez de sua pele.
Dizer tudo o que sinto quando nossos corpos se encontram.
Quando somos um só e ela geme ao meu ouvido.
Quando voltamos a ser dois e ela sorri com as bochechas coradas.
As vezes as palavras me faltam,
e as vezes as ações não são suficientemente absolutas.
Quero dizer à ela. Quero que ela leia. Quero que ela saiba.
Quero que ela saiba de tudo. Do meu amor e do meu desejo.
Ela veio à minha vida, e trouxe junto a minha felicidade.
A felicidade que me impede de dizer o quão feliz estou.
Paradoxo louco que só o amor pode explicar.
Enquanto isso continuarei meu caminho.
Carregando minha maldição.
Homem das várias máscaras. Ator criador de seu próprio ser.
A tristeza encenada, a felicidade ensaiada, o personagem que vive.
O Menestrel das Sombras.


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