“É a nossa luz, não nossa escuridão que mais nos assusta.

Nosso medo mais profundo não é de sermos inadequados.

Nosso medo mais profundo é de sermos poderosos além da medida,

Mas brincar de ser pequeno não serve ao mundo.”

Coach Carter

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Nota mental:

Eu ainda me lembro do sorriso dela...
Faz alguns anos, mas eu me lembro bem.
Me lembro da boca dela, daqueles lábios que carregavam alguns dos melhores beijos que já provei.
Me lembro daquela cintura onde meus braços se aninhavam enquanto estávamos em pé no ônibus.
Me lembro do olhar dela sempre tentando me decifrar.

Me lembro de como gostava de brincar com ela, de fazer raiva.
"Bibi", eu dizia com frequência só para vê-la corada, odiando e amando o apelido e a forma terna com que eu o pronunciava.
Me lembro de quando ela realmente apelava com algo e mudava o tom da voz, e então eu a beijava somente para disfarçar meu desconcerto e fingir ter controle da situação.
Me lembro de como ela sentia prazer em estar comigo e como eu sentia prazer em estar com ela.

Me lembro de tê-la entregue em meus braços trêmulos.
Me lembro de fingir saber o que estava fazendo quando, na verdade, eu estava apavorado.
Me lembro de não ter dito a ela o quanto aquilo representou para mim, o quanto foi especial.

Mas me lembro principalmente de não ter agido da maneira certa.
Me lembro de ter me escondido atrás da indiferença para parecer forte.
Me lembro de não ter me permitido me entregar a ela como gostaria.
Me lembro de ter tido medo de me apaixonar, de ter fugido dela, de ter fugido de nós.

É interessante pensar que eu superei quase tudo na vida, exceto ela.
Você foge do sentimento, mas ele te pega do mesmo jeito, porém tardio, porém mascarado, porém já nasce póstumo.
Na vida tudo tem uma lição, e com ela eu aprendi que quando você não vive tudo o que tem para viver, o remorso te pega desprevenido.

Alguns anos se passaram, algumas garotas se passaram, mas constantemente volto a pensar nela.
A garota das anotações mentais.
A garota do lacinho vermelho.
A garota que meu pai chamava insistentemente de "Branquinha" sem que ela nunca soubesse disso.
A garota que tive nas mãos e deixei escorrer por entre os dedos.

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