“É a nossa luz, não nossa escuridão que mais nos assusta.

Nosso medo mais profundo não é de sermos inadequados.

Nosso medo mais profundo é de sermos poderosos além da medida,

Mas brincar de ser pequeno não serve ao mundo.”

Coach Carter

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Divino Anjo Carnal.

"Às vezes você acha bondade no meio do inferno." C. Bukowski

Hoje eu acordei e ela estava aqui, ao meu lado.
Protegida nos meus braços, entregue, encolhida.
Cheiro de bebê, cheiro de perfume, cheiro dela.
Estava sorrindo e me observando dormir.

Por alguns segundos me perguntei o que estava acontecendo. O que ela estava fazendo comigo. Como poderia me deixar assim, tão vulnerável aos seus encantos.
Meu corpo reage ao dela. Meu sorriso, meus pensamentos, meu coração.

Ela me toca como ninguém nunca tocou, sorri, brinca, bate, belisca, morde. Eu tenho nas mãos uma menina, uma garota, uma mulher, um coração tão bom quanto nenhum outro que eu tenha encontrado. E essa inocência, esse jeito menina, me enlouquece. A maneira como nos amamos, a maneira como conduzimos a coisa toda, é algo quase sagrado, as caras e bocas, os suspiros e gemidos, são tão angelicais que eu me forço a parar apenas para contemplar aquele momento. Aquele gemido sufocado, inocente, gracioso. Hedonista.

Talvez ela seja o meu anjo particular.

Tê-la nos braços é como se manter no segundo que antecede o orgasmo. É como eternizar aquele momento entre o prazer máximo e o final de tudo. Gosto da nossa instabilidade relativa. É motivante, é aconchegante. Acho que também tenho medo de tomar qualquer atitude. As coisas estão fluindo numa naturalidade tão absurda que pela primeira vez na vida eu não tenho pressa em definir. Diria que, hoje, gostaria de passar o resto da minha vida com ela, mas todas as rotulações, definições, não são para nós dois, mas para os outros. Duvido que a maior parte dos casais por ai esteja vivendo algo tão intenso quanto o que estamos compartilhando agora. "A gente se gosta sem alarde, sem futuro." e ela curtiu, e descurtiu segundos depois, pois nos gostamos assim, sem alarde. Calamos a todo o tempo no peito um sentimento que insiste em se expressar, em gritar na cama, no carro, no quarto escuro e solitário, nas lágrimas durante o banho.

Talvez o Universo inteiro só exista para servir de palco para nossas carícias. Desde o início dos tempos, os dinossauros, meteoros, escrita, roda, guerras... Apenas para culminar no nosso encontro. E tudo se acabará quando deixarmos de existir. Somos o sentido de toda a vida terrestre, o pico de toda a evolução, o ápice, o apogeu, o clímax da existência humana, e arrastaremos para o túmulo toda a realidade pré-existente.

Hoje eu acordei e ela estava aqui, ao meu lado.
Cabeça sobre meu ombro, cabelo roçando meu pescoço.
Um braço me cruzando o peito, a perna entre as minhas.
Ela me deu um beijo. Eu a entreguei minha alma.


Troca justa.

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