“É a nossa luz, não nossa escuridão que mais nos assusta.

Nosso medo mais profundo não é de sermos inadequados.

Nosso medo mais profundo é de sermos poderosos além da medida,

Mas brincar de ser pequeno não serve ao mundo.”

Coach Carter

domingo, 2 de janeiro de 2011

Meu casulo

Faz algum tempo que não escrevo aqui.
E particularmente, também não deveria estar escrevendo agora.
Minha garota está no quarto ao lado dormindo.
São 01:11 da madrugada e eu estou aqui escrevendo.
Acho que sou um babaca, talvez um moleque medroso.

Mais cedo eu estava observando alguns detalhes da minha vida.
E de repente notei que meus amigos não conhecem a minha casa.
Meus amigos mais íntimos, mais antigos, mais irmãos.
Eu tenho medo de trazer pessoas a minha casa.
Não sei exatamente o porque, mas tenho muito medo.

Eu nunca sei o que fazer quando elas estão aqui.
Café? Chá? Leite quente? Não obrigado, não quero nada.
Tudo bem, quem sabe uns pães de queijo?
Estou sem fome, depois eu como.

Televisão? Videogame? DVD? Dormir? Conversar?
Minha casa é um lugar chato? Vazio? Sem graça?
Sem gritos, sem pulos, música alta, sem bagunça.
Não sei me comportar em casa. Eu sou o chato.

Meu computador, minha televisão, meus desejos.
Naaaada atende o que as pessoas querem.
Talvez eu me esconda em casa.
Me esconda da minha própria máscara.
Em casa sou chato, seco, vazio, sem sal e aspartâmico.
Me sinto um refrigerante diet.

Me sinto mal por isso. Queria ser festeiro.
Queria receber as pessoas fazendo farra.
Queria ser em casa o Eu que sou na rua.
Ser o encasulado dentro do meu casulo familiar.

Eu não sei o que dizer além disso. Será que sou anti-social?
Será que sou viciado em fazer nada em casa?
Será que sou um louco que não sabe viver fora da rotina?
Será que sou culpado por tudo isso?

Acho que minha vida é formada por casulos encasulados.
Acho que nunca vou encontrar a essência do meu ser.
Talvez dentro de cada casulo exista um outro.
E no final não exista mais nada.

No final sobra eu e meu computador idiota.
Uma pilha de livros, um conjunto de halteres.
Alguns cartões rasgados e uma caneta preta.

Eu estou muito cansado de mim...

Um comentário:

  1. Talvez um dia você descubra que sua casa pode ser onde a máscara é verdadeiramente usada... Talvez um dia você descubra que você não depende da pessoa que é em casa para se definir... Talvez um dia você decubra que se você fosse igual em todos os lugares, seria apenas um boneco pré-programado a agir da mesma maneira pela eternidade. =]

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