“É a nossa luz, não nossa escuridão que mais nos assusta.

Nosso medo mais profundo não é de sermos inadequados.

Nosso medo mais profundo é de sermos poderosos além da medida,

Mas brincar de ser pequeno não serve ao mundo.”

Coach Carter

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Coltec...





Olá, estou tendo problemas para dormir.
Dormir no sentindo de fechar os olhos e encontrar a paz
Dormir no sentindo de fechar os olhos e saber que o dia acabou.
Mas agora vivo dias em sequência.
Um dia se torna o próximo, e o anterior é misturado.
E no meio de toda essa bagunça eu me perdi no tempo.
Não estou no futuro, pois ele nunca chega.
Não estou no presente, que sempre passa.
Não estou no passado, que sempre me lembro.

Vivo ao vivo sem viver. O ao vivo que vejo pela tevê.
Ao vivo que ouço pelo rádio dentro do ônibus lotado.
Vivo no mundo que só conheço por conversas alheias.
Conversas alheias que também contam do vizinho, do cachorro e do irmão.


Me perdi de minha família, não sei mais onde me encaixo.
Conversamos por bilhetes colados na geladeira.
Sei dos eventos no momento em que estão indo comemorar.
Comemorações de que sou privado... ossos do ofício.


E o medo que está sempre ao redor,
As provas sempre à espreita, as tarefas sempre me devorando
Me perdi de tudo que era importante para mim.
Me privei de amigos, lazer, dormir, sonhar e viver.


Onde estou, eu, dentro de mim mesmo?
A agitação da cidade me possuiu, me dominou.
Tornou-me o filho preferido do pai bastardo que mais odeio.
O pai que devora seu filho, lentamente, com requintes de crueldade.


Agora minha cabeça dói, meus olhos ardem.
São duas da manhã e eu vejo o tempo passar, segundo após segundo.
A latência de meu sofrimento dança ao ritmo dos ponteiro do relógio.
Tic tac, a cada segundo que se passa, é um segundo a menos para tentar algo.
Talvez tentar dormir, talvez tentar estudar.
Mas estudo com sono, e não durmo com a culpa.


Minha dor tira de mim toda a noção de realidade.
Estou morrendo aos poucos, vivendo através de tubos.
Eutanásia já. Livre-me destas dores. Deixe-me dormir.


Trabalhos inacabados, páginas e páginas escritas e rabiscadas.
Essas páginas têm muita coisa para algo que não diz nada.
Muita informação para nenhuma utilidade.
Números que não expressam o resultado da realidade.
Fórmulas que não calculam o limite do pensamento.
Reações que não ensinam o ser humano a se relacionar.
Pra que serve toda essa merda para viver em um mundo onde nada vale a pena?
As matérias formam um ciclo para justificar a existência uma das outras.
A física serve para dar utilidade à matemática.
A matemática serve para tentar explicar e expressar o mundo.
A química faz os analgésicos para diminuir a dor de cabeça dos matemáticos.
A biologia te mostra que a matemática depende dos analgésicos.


Meu "pensamento" nunca doeu tanto quanto dói agora.
Dói como se doesse por dentro e por fora.
Por mim e pelo mundo inteiro. Meus olhos estão pressionados.
Talvez eles queiram pular da órbita, procurar algo mais bonito a se ver.
Afinal faz algum tempo que não vejo algo realmente bonito.


Meu corpo inteiro dói, talvez seja um protesto biológico.
Meus músculos lutando uns contra os outros
Expressando sua necessidade de trabalhar, de agir.
Meus punhos tremem, meus dedos suam...
Meus braços se sentem fracos e frágeis,
Talvez espadas não tenham nascido para ficar na bainha.


Não aguento mais falar, nem escrever, nem pensar.
Um dia, talvez, espero encontrar a paz, e esquecer essa maldita xícara de café.
E essa maldita rotina, com esses malditos remédios e essa maldita loucura... em vão.



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